A dança das marés, Carol Consentino

Ano passado, na Bienal de São Paulo, literalmente corri para encontrar a Carol Consentino antes que ela voltasse para casa. Foi um encontro cheio de alegria, abraços e afeto trocados após algum tempo em que nos conhecemos através do Instagram. E claro que eu não poderia perder a chance de sair desse encontro sem um livro autografado, não é mesmo?

O livro A dança das marés foi uma leitura prazerosa, que me transportou a um encontro com a natureza, algo que sempre me encanta, e a vida de Alex, Cristina e Sofia.

Cristina é uma jornalista fotográfica que viaja o mundo realizando matérias enquanto aproveita as paisagens e a liberdade que a profissão lhe proporciona, e é através de um novo projeto que ela vai parar na praia de Pedreiras para acompanhar o trabalho do instituto local durante o período da desova de tartarugas marinhas. Alex, biólogo de carreira, é o responsável por mostrar a Cristina tudo sobre as instalações do instituto e a rotina do trabalho que ali realizam.

"Não deixe que a dor faça moradia aqui. Existe razão pra tudo e a morte não busca ninguém à toa. Se ela o fez, é porque a vida não queria mais aquele que se foi. Mas a vida quer você. Não a decepcione. Viva!”

Enquanto se encanta pela paisagem, os animais e o trabalho que todos ali realizam, Cristina também se encanta por Alex, um homem que leva o trabalho a sério com uma paixão rara, e por Sofia, a filha dele, uma garotinha charmosa e inteligente que encontra na fotógrafa uma companheira para suas brincadeiras e uma referência feminina para ocupar, mesmo que temporariamente, o espaço deixado pela ausência da mãe. 

Mas, o trabalho para o qual Cristina foi contratada tem prazo para se encerrar, e talvez sua relação com Alex e Sofia tenha se tornado mais forte do que esperava e seus sentimentos estejam confusos, afinal como deixar para trás tudo o que experimentou ali? Mas como ficar sem ter perspectiva de que realmente a querem como parte da família? Só lendo para descobrir.

"Seguir em frente não significa esquecer o passado, até porque são os capítulos que ficaram para trás que fazem de nós quem somos."

A escrita da Carol tem uma característica que eu gosto muito que é a de dar foco às sensações dos personagens tanto em relação aos lugares quanto sobre seus sentimentos, e aqui não foi diferente, cada descrição sobre os locais foi rica não só visualmente, mas nos transporta para a própria história, como se fôssemos parte dela. E é muito óbvio como a Carol pesquisou sobre a desova das tartarugas e sobre o funcionamento de um instituto de vida marinha, porém, tudo foi descrito de forma atrativa e coesa, é impossível não se sentir vivenciando cada cena junto com esse grupo de personagens tão humanos e reais.

"É assim que a vida é. Como a dança das marés. Às vezes calma e brilhante, em outras nebulosa e sombria. E então calma e brilhante de novo."

Se ainda não conheceu o trabalho, siga a autora no perfil dela no Instagram (@autoracarol.consentino) e encontre seus livros na Amazon, e no caso de A dança das marés no site da editora Sinna.

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