E foi assim que consegui finalmente ler Fuck Love, já que Tarryn Fisher, embora more nos Estados Unidos, nasceu na África do Sul. Infelizmente, ela não inclui nada de seu país de origem na história, mas não acho isso um demérito. A história em si que é toda decepcionante.
O primeiro capítulo cria uma enorme expectativa sobre o enredo. Helena, a personagem principal, tem um sonho muito vívido em que é apaixonada e casada com Kit, o namorado da melhor amiga, Della, um homem em quem nunca prestou atenção de verdade, mas o sonho parece um pouco premonitório, deixando-a perplexa ao acordar.
A questão é que a partir daí a história se torna completamente rasa e incoerente até o final.
Não houve uma construção real dos sentimentos da Helena, ela simplesmente toma o sonho como a sua nova realidade e todas suas decisões são baseadas na expectativa de que ele se torne realidade, mesmo alegando diversas vezes que Kit não faz seu tipo, no entanto, ela simplesmente começa a pensar mal de Della o tempo todo, desmerecendo tudo sobre ela, e passa a desejar claramente estar no lugar da suposta melhor amiga, mesmo no pior momento da vida de Della.
Além disso, fica tão obcecada por Kit que se muda para a cidade de origem dele e se torna amiga da ex do cara, mas nem essa relação é bem trabalhada.
E quando tudo dá errado entre ela e Kit, Helena se envolve com um cara que surge do nada e some do nada. A autora simplesmente ignorou o desenvolvimento dessa nova relação e colocou esse personagem na história somente para chocar - vou evitar um spoiler sobre ele, mas ela banaliza uma condição mental e também uma questão social.
O final é um clichê clássico, mas totalmente sem graça. Aliás, todos os personagens da história são sem graça, sem carisma, porque a autora não consegue mostrar quem realmente são. O livro parece mais um rascunho faltando cenas de conexão e uma imersão em quem Helena realmente é e tenta se tornar. No fim, ela é uma garota imatura e rasa que permanece imatura e rasa, porque a vida que tenta construir não passa de uma imitação barata de um sonho que parecia melhor do que realmente é.
Eu levo a sério a ideia de que leitura é um processo subjetivo e cada pessoa absorve e assimila o livro de um jeito, mas em casos como o de Fuck Love não acho possível que alguém o tenha lido e achado esse livro bom, porque uma coisa é a história não agradar, outra é o livro ser mal escrito. E nesse caso, se trata da segunda opção. É mal escrito em um nível difícil de digerir para uma autora de tanto sucesso. E como experiência pessoal, não serve nem para passar o tempo. Gastem o tempo de vocês com histórias melhores, o mundo está cheio delas.
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